Aquele dia, no qual ela percebeu que o mundo estava jogando, aproximadamente, centenas e incontáveis quilos sobre sua costa, ela se empobreceu. Empobreceu-se dentro do coração, na sua face, na sua alma, no seu modo de agir.
O sangue dela, a partir disto era mais gelado que aquela água que deixamos durante, sei lá...umas 4 horas no freezer. Com tanto descontentamento, ela não acreditava em nada e nem mesmo em si própria, ela dizia que tinha milhares de motivos para ser o que se tornou, só que ela não sabia mesmo, que ela sempre foi assim, estúpida e talvez até um pouco inútil, ela sempre fingiu porque acreditava que ela não era assim, ela acreditava que todo mundo era lindo e sorridente e que todos entregariam à ela uma belo sorriso, pela sua singela cortesia. Ela é cortês, bom, era. Até o momento que percebeu, que por ser boba demais, e por fim percebeu... Ela era abusada das pessoas que estavam a sua volta e por causa disto, é o que é. E porque? Por que ela reconheceu seu verdadeiro ser e ao mesmo assim, jorrava sangue para todos os lados, era como se o amor dela estivesse esgotado e transbordado dentro de si, ela estava com muito amor acumulado que nunca soube usar, por medo, porque ela sempre achou que o amor era que nem os DVD's de filmes românticos estampados na vitrine da loja, ela achava que amor era só assim, que você só via na vitrine, escolhia e quando estivesse velho substituiria. Não sabia, que deveria usá-lo com toda sua força e amar as pessoas, mesmo quando elas eram más com elas.
Hoje, a mágoa domina seu coração, que está pobre de sentimentos e se porventura, há algum sentimento, este mesmo, é a solidão. Porque a única coisa que ela consegue clamar é o nome de sua mãe, porque ela sempre achou que a única pessoa que a amou na vida foi sua mãe, mas ela tinha uma dificuldade, porque ela não dava conta de clamar ajuda à Deus e quando isso existe ou acontece, nossos corações ficam frios, assim como nosso sangue que se congela e uma hora outra pode até nos matar.
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